
Foto de Augusto Pessoa, tirada do site da Fundação
Em pleno sertão cearense – mais precisamente na cidade de Nova Olinda – fica a Fundação Casa Grande, idealizada por Alimberg Quindins e Rosiane Limaverde. E lá, quem manda são as crianças. São elas que tocam as atividades culturais, que incluem um museu (sobre os índios que habitaram primeiro o Cariri), uma rádio educativa, teatro, música, editora, cinema e televisão.
E os quadrinhos têm papel importante por lá. O prédio onde fica a sede da fundação foi doado pelo governo do estado, atendendo a um projeto feito em história em quadrinhos. Além disso, os garotos contam com uma gibiteca muito bem abastecida. São mais de 2.600 exemplares. Tem até “O Cabeleira”!

A gibiteca. Foto de João Paulo Maropo, tirada do site da Fundação.
Acho que todo roteirista escreve com algum público na cabeça. Fazemos isso porque queremos “manipular” as sensações de quem vai ver (ou ler) o que escrevemos. “Aqui vão se assustar”, “Agora vão rir”, “Nessa parte vão chorar”. Para isso, enquanto escrevemos, vamos tentando prever tais reações do público. E a melhor forma de fazer isso é tendo um “público imaginário” na nossa cabeça. É claro que o público que vive na minha cabeça é formado por vários Leandros. Ou pessoas imaginárias muito parecidas comigo, com valores semelhantes e faixa etária próxima. E nunca passa pela minha cabeça a possibilidade de que alguém muito diferente de mim possa se interessar por aquilo que escrevi. Por isso é tão emocionante saber que um jovem no sertão do Cariri leu O Cabeleira. E gostou!
É o caso de Aureliano Souza, de 22 anos (que já não é tão criança assim…). Ele relatou sua leitura de nosso álbum em seu blog:
Essa semana fiquei conhecendo mais sobre o cangaço. Eu li o gibi O cabeleira sobre a historia de José Gomes. Um homem muito temido na província de Pernambuco, um dos primeiros cangaceiros que se tem notícia na historia do cangaço nordestino. É importante essa literatura que retrata os acontecimentos da nossa história. É uma forma de mantê-la viva.
Quem quiser conhecer um pouco mais sobre a Casa Grande, que já existe há mais de 15 anos, pode dar uma olhada na Revista de História da Biblioteca Nacional de março. Também pode acessar o site Fundação Casa Grande.

