Archive for Abril, 2009

Celtx

Abril 20, 2009

Já vou avisando que esse post só vai interessar a quem escreve ou quer começar a escrever roteiros. Os outros podem ignorar…

Hoje no Brasil, os roteiros seguem a formatação americana. Algumas pessoas acham essa história uma bobagem, pois o que realmente importa é o conteúdo do roteiro e não a maneira de se organizar na página os diálogos, nomes de personagens e ações . É claro que o conteúdo é muito mais importante. Mas os roteiros formatados de maneira padronizada trazem vantagens para todos.

Quando um produtor recebe 10 roteiros para avaliar, seu trabalho fica bem mais fácil se esses roteiros seguem uma mesma formatação. Ele não precisa ficar tentando entender o que cada elemento na página significa a cada roteiro que abre para ler. Além disso, a formatação pode interferir no número de páginas do roteiro. Formatado de um jeito, um roteiro pode ter 100 páginas. Outra formatação pode deixar esse mesmo roteiro com 120. E o produtor quer ter uma base de comparação. A mesma formatação ajuda a avaliar as diferenças de tamanho, ritmo e estilo entre dois projetos. Só de abrir dois roteiros com a mesma formatação já podemos ter uma idéia se um tem muito mais diálogo do que o outro. Se um tem ações mais lentas. Se o outro tem cenas mais curtas. E assim por diante.

O trabalho do roteirista também fica mais fácil com essa formatação americana. Dizem que nela a relação páginas de roteiro/minutos de filme é um pra um. Ou seja, um roteiro de 120 páginas resultaria num filme de 120 minutos. É claro que não dá pra levar essa história ao pé da letra. Não é uma matemática exata. É uma estimativa. Serve para o roteirista se guiar na hora de escrever. Ele sabe que um roteiro de 60 páginas é pequeno para um longa-metragem. E um de 250 é grande.

Então vieram os americanos – sempre eles – e criaram programas específicos para se escrever roteiros. E a vida que era fácil ficou moleza! Esses programas fazem tudo. Só falta escreverem por você. Mas qualquer dia os americanos dão um jeito nisso também.

Quando você está escrevendo um diálogo entre dois personagens, o programa entende isso e passa a completar os nomes desses personagens por você. Se você acabou de escrever o cabeçalho de uma cena e apertou o ENTER, o programa sabe que agora, obrigatoriamente, vem uma ação, então já formata o texto para ação. A mesma coisa depois de você ter escrito o nome de um personagem em um diálogo. Depois do ENTER vem uma fala, então o programa já deixa tudo pronto para você escrever a fala. Escrever fica muito mais rápido assim. O mouse fica quase esquecido.

O Final Draft é o programa mais usado hoje em dia. Mas custa 200 dólares. O Celtx é de graça.

Acho que foi o Hiroshi quem me falou do Celtx pela primeira vez, já faz um bom tempo. Recentemente fui dar uma olhada com mais calma, pois queria falar dele para minha turma de roteiro da Darcy Ribeiro. Fiquei bastante surpreso. O programa tem muito mais recursos do que eu lembrava. O roteirista pode usá-lo para formatar roteiros de cinema, TV, rádio e inclusive quadrinhos! Até as fichas, usadas para planejar o roteiro que será escrito, ordenando as cenas do filme, estão disponíveis. Com a opção de dar cores específicas para cada trama da história. Assim a visualização de como as tramas do filme estão se cruzando é imediata. Uma verdadeira mão na roda!

Ou seja, recomendo o Celtx. E muito!

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HQs para salvar economia?

Abril 11, 2009

Hoje eu li uma notícia curiosa no jornal O Globo: Japão busca estímulo econômico em HQs e cultura pop.

noticia_manga

De acordo com a notícia, “o primeiro-ministro do Japão é fã de mangás e sempre alardeou a importância de conteúdos “soft power” como as histórias em quadrinhos. […] A meta é aumentar as vendas de “conteúdo” para o exterior dos atuais 2% para 18% do total das exportações”.

O Brasil bem que poderia investir um pouquinho em HQs, né?

Mais um evento na Travessa

Abril 11, 2009

Conforme eu havia mencionado em meu post anterior, no próximo dia 13/04 (segunda-feria), haverá o lançamento do livro do Paulo Ramos na Livraria da Travessa do shopping Leblon. Também ocorrerá um debate sobre a evolução da linguagem das HQs com Carlos Patati, Paulo Ramos e Télio Navega. O evento começa às 19h:30.

Será imperdível.

Comprando Livros & HQs

Abril 7, 2009

Eu sempre gostei de livros e HQs. Desde os meus primeiros acessos à internet, me tornei fã da Amazon.com, que antigamente só vendia livros e agora vende qualquer coisa. Graças a ela, pude ler quadrinhos que nunca chegaram ao Brasil (Por que “Blankets” – a melhor HQ já feita – jamais chegou ao Brasil?!).

amazon

Confesso que eu ganho o meu dia quando chego na portaria do meu prédio e me deparo com uma caixa da Amazon.com. Este fim de semana chegou uma dessas lá em casa. Comprei 3 HQs e não vejo a hora de “devorá-las”.

Uma outra opção que eu descobri em 2007 foi o site Estante Virtual, que reúne diversos sebos, com mais de 20 milhões de opções. Os preços são bons e nunca tive nenhum problema. Mas o melhor de tudo é encontrar aquele livro raro ou que está esgotado (ótimo para pesquisas de roteiro!).

estantevirtual

Mas eu ainda não me rendi totalmente aos tempos de internet, já que eu gosto muito de uma livraria real. Minha preferida é a Travessa. Não há como não se admirar com as lojas do Leblon e Barra. Isso sem falar que a Travessa vem realizando diversos eventos sobre quadrinhos!

loja_barra

Por falar nisso, no próximo dia 13 haverá lançamento do livro do Paulo Ramos na Travessa do Leblon. Mas isso eu deixo para contar no próximo post.sie

HQs na British School

Abril 5, 2009

ppt_hq

Esta semana eu fiz uma palestra sobre HQs para crianças da British School. Montei um power point bem didático, que buscava a participação dos alunos com perguntas do tipo: “Como se começa um quadrinho?”, “O que faz um bom roteiro (uma boa história)?”, “De onde vem as idéias?” etc.

Foram duas sessões de 50 minutos. Levei alguns originais do Cabeleira: perfil dos personagens, lápis, thumbnails, nanquim. As crianças ficaram encantadas, foi um sucesso! Nota 10!

É realmente importante que as HQs estejam nas escolas e façam parte do aprendizado dos alunos. Afinal, eles serão (alguns já são!) os leitores e criadores de amanhã.