Archive for Junho, 2009

Curso de Quadrinhos

Junho 21, 2009

Estacao

O Hiroshi e eu fomos convidados pelo incansável Arnaldo Branco para participar de um curso de quadrinhos do Grupo Estação. Vamos falar sobre graphic novels e adptações.

Para quem estiver interessado:

Arte sequencial, humor gráfico e outros eufemismos

Mediador: Arnaldo Branco.
Com: Allan Sieber, Leandro Assis, Hiroshi Maeda, André Dahmer e Leonardo.

De 13 a 16 de julho

Das 19h30 às 22h
Carga horária: 4 aulas
Custo: R$ 300,00 à vista ou 2X R$ 175,00
Local: Grupo Estação – Rua Voluntários da Pátria, 53
Botafogo, Rio de Janeiro

Mais detalhes no site do Grupo Estação.

O Brasil nos Quadrinhos

Junho 11, 2009

Um de nossos maiores quadrinistas foi Flávio Colin, que dizia: “Considero as HQs uma missão. E como todo bom missionário, dedicado e tenaz, acredito que um dia, através delas, o Brasil será mais brasileiro.

Pois Colin teria orgulho de três belos quadrinhos lançados recentemente: Copacabana (Desiderata), Os Brasileiros (Conrad) e Sábado dos Meus Amores (Conrad). São três álbuns que falam do Brasil. Cada um de seu jeito. Os três obrigatórios.

1. Copacabana

CopaSou suspeito para falar. Afinal, esse quadrinho é de autoria de Lobo e Odyr. O primeiro foi editor do Cabeleira e o segundo foi o responsável por sua belíssima capa. Pois esses dois craques se juntaram para retratar o submundo de Copacabana. Um universo povoado por prostitutas, travestis, gringos, policiais corruptos e malandros. A trama noir criada por Lobo é bastante envolvente, mas torna-se brilhante quando revela os pequenos personagens que compõem o pano de fundo do bairro. Como o vendedor de Halls no ônibus,  a gangue de travecos, o velhinho do café, a velha do pó e tantos outros. Os bate-papos das putas pelos bares parecem tão autênticos que não deixam dúvida: Lobo sabe do que está falando. E a arte de Odyr consegue o que parecia impossível. Copacabana está mais imunda e decadente do que nunca.

2. Os Brasileiros

ToralAndré Toral é historiador e antropólogo e isso fica óbvio lendo seu álbum. No bom sentido. Ele não quer nos dar aulas. Quer apenas  falar daqueles que podem ser considerados os verdadeiros brasileiros. Ou pelo menos os primeiros brasileiros. As sete histórias do livro tratam de índios, da época do descobrimento até os dias de hoje.  Como o próprio Toral explica, esse album é o seu jeito de responder a uma pergunta que ele se faz sempre que viaja para o litoral paulista: “onde estão aqueles que por milhares de anos habitavam esse litoral, muito antes da chegada dos portugueses?” Os índios de Toral não têm nada de coitados, fracos ou submissos. São guerreiros, prontos para lutar com os inimigos e devorá-los. Literalmente. O canibalismo é assunto recorrente no quadrinho. Duas histórias nãos são inéditas – O Negócio do Sertão, publicada em 1991 como Graphic Novel e O Caso dos Xis, publicada em duas partes em 1992. Mas isso não diminui em nada o prazer de ler Os Brasileiros.

3.  Sábado dos Meus Amores

Quintanilha

Sou fã de Marcello Quintanilha desde a época em que ele ainda assinava Marcello Gaú. A primeira vez que vi seu trabalho foi na Bienal de Quadrinhos de 91. E fiquei impressionado com seu desenho realista, claramente baseado em fotos, e com a sua capacidade para capturar nos quadrinhos um brasileiro poucas vezes retratado em nossos gibis. É o brasileiro derrotado, pobre, que compra cerveja fiado em  pé-sujo, que é torcedor fanático de futebol, que sente inveja e compra briga. Estava ansioso para ver esse livro, pois o anterior havia me decepcionado bastante.  Fealdade de Fabiano Gorila, que Quintanilha lançou em 99, era uma história de apenas 16 páginas que foi rediagramada para ocupar umas 80. Acho que com isso a narrativa e os desenhos de Quintanilha ficaram bastante prejudicados. Pois foi com muito alívio e alegria que devorei Sábado dos Meus Amores. A edição está caprichada, com capa dura, e traz Marcello Quintanilha no auge da forma. Suas histórias são comoventes e seu desenho está deslumbrante.

Recomendo os três livros. Quadrinhos brasileiros, sobre brasileiros, da melhor qualidade. Colin ia adorar.

Lançamento de “Copacabana”

Junho 10, 2009

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Reservem suas agendas! Na próxima semana haverá o lançamento de Copacabana, de Odyr e Lobo. Dia 15 no Rio e 17 em SP.

Quadrinhos Espanhóis: David Rubín

Junho 9, 2009

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Minha maior surpresa em relação aos quadrinhos espanhóis chama-se David Rubín. Seu traço lembra um pouco o de Craig Thompson e suas histórias falam – na maioria das vezes – sobre a solidão e a perda de um grande amor. Li os quadrinhos “El Circo del Desaliento” e “La Tetería del Oso Malayo” (ambas publicações da editora ASTIBERRI) e virei fã incondicional.

lateteria

Infelizmente, esses são os típicos quadrinhos que dificilmente pousarão em território brasileiro. Portanto, se você estiver de viagem pela Espanha, não hesite em comprá-los.

Adaptações

Junho 4, 2009

Semin

Quem acompanha o mercado editorial de quadrinhos no Brasil já sabe que está havendo uma onda de adaptações literárias para gibis. Machado de Assis, Eça de Queiroz, Jorge Amado,  são alguns dos autores que tiveram suas obras adptadas. Só o conto “O Alienista”, de Machado de Assis, ganhou umas três versões em quadrinho no ano passado.

Acho que essa tendência pode ser explicada, em parte, pelo PNBE,  Programa Nacional Biblioteca da Escola. Para incentivar a leitura, o governo compra livros e quadrinhos e distribui para as escolas do país. Visando essa compra pelo governo, as editoras apostam nas adaptações literárias. O raciocínio é banal: se é para ser lido na escola, que seja Machado de Assis, Eça de Queiroz ou Jorge Amado.

“O Cabeleira”, como os poucos leitores desse blog estão cansados de saber, é uma adaptação do romance de Franklin Távora. A diferença é que essa adaptação não foi pensada para quadrinhos e muito menos visando o PNBE (mas é claro que ficaremos muito felizes se o governo decidir levar nosso álbum para as crianças!). A Desiderata, quando nos convidou para publicar nosso roteiro em quadrinhos, também não pensava em vendas para o governo.  O que Marta Batalha e Lobo queriam era publicar bons quadrinhos de autores nacionais.

Mas o fato é que agora Hiroshi e eu fazemos parte do time de autores que adaptaram obras literárias para os gibis. Por isso, já participamos de debate na Travessa, demos entrevista para o Starte do GNT e agora fomos convidados para participar de um curso de quadrinhos do grupo Estação. Falaremos sobre “Graphic Novel” e, é claro, adaptação (quando tivermos mais detalhes sobre esse curso, postaremos aqui, não se preocupem!).

E agora descobri, na internet, que entre os dias 16 e 19 de Junho  acontecerá o 3º Seminário de Literatura Brasileira, na Universidade Estadual de Montes Claros. Nesse ano, o Seminário vai discutir as representações do sertão e do norte do Brasil na literatura nacional. Para a minha surpresa, a doutoranda da USP Jane Adriane Gandra, professora do curso de Letras da Unimontes, vai falar sobre o nosso quadrinho!    

No site do Seminário, essa é a descrição da palestra que a professora fará:

O cabeleira, de Franklin Távora, nas histórias em quadrinhos

Importantes obras de Machado de Assis, como o Alienista e Memórias póstumas de Brás Cubas, já foram convertidas para a linguagem das histórias em quadrinhos e a lista só tende a aumentar com outros nomes consagrados. Nos dias atuais, não há como negar os muitos projetos apresentados pelas editoras nas promoções de adaptações dos clássicos da Literatura Brasileira para o mundo dos gibis. Sobre isso, as defesas são inúmeras, a mais utilizada é sobre o fato de estarem elas contribuindo para a popularização de uma literatura distanciada da maioria de nossos leitores, principalmente dos adolescentes. Assim, sob o formato dos grafich novel, muitos romances, considerados “monótonos” e complexos por este público, ganham uma forma ilustrativa e simplificada, bem ao estilo teens. Seguindo a tendência, em 2007, a editora Desiderata lançou no gênero dos quadrinhos O cabeleira, de Franklin Távora – romance regionalista inspirado na trajetória do cangaceiro José Gomes. Com base no exposto, e considerando que toda adaptação não deixa de ser um outro texto – novos olhares contando algo que já foi narrado –  é nossa proposta, neste ensaio, analisar quais elementos narrativos do livro de 1876 foram modificados pelo sincretismo instituído entre o verbal e o visual das HQs.

Estou muito curioso para saber a que conclusões a professora terá chegado!