Archive for Julho, 2009

7 Vidas

Julho 31, 2009

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Se existe uma coisa eu aprendi com este blog é que eu não sou crítico de quadrinhos. Melhor deixar essa tarefa para pessoas como Sidney Gusman & cia. Mas quando eu me deparo com um ótimo trabalho, não posso deixar de mencioná-lo aqui. Esse foi o caso de 7 Vidas, de André Diniz e Antonio Eder. Esse quadrinho é muito, muito bacana, e narra as sessões de terapia de vidas passadas feitas por André Diniz.

Acreditar ou não em vidas passadas não é pré-requisito para gostar do quadrinho. Afinal de contas, o que realmente importa é que 7 Vidas é uma história intimista, emocionante e que merece ser lida.

Vinho, cinema e os capetas.

Julho 30, 2009

mondovinoBig

O Hiroshi levantou uma questão interessante no post anterior (e o Hiro completou com um comentário hilário). O cinema tem caras diferentes dependendo de onde é feito.  Mas tenho a sensação que de uns tempos pra cá essas diferenças estão diminuindo.

Em 2004, o cineasta e enólogo americano Jonathan Nossiter lançou um documentário que se tornou um hit. Mondovino falava sobre a

O capeta dos vinhos

O capeta dos vinhos

globalização e seus efeitos devastadores para o mundo do vinho. Segundo Nossiter, os vinhos produzidos em diferentes regiões do planeta, em terrenos diferentes, com climas diferentes e, principalmente, por vinicultores diferentes, têm características únicas, particulares e fascinantes. O problema é que essas diferenças estão sumindo. Tudo teria começado quando os vinicultores perceberam a influência decisiva do crítico de vinhos Robert Parker na decisão de compra dos consumidores. Uma crítica positiva de Parker aumenta imediatamente o preço do vinho e suas vendas. Uma crítica negativa pode arruinar a vinícula. Não demorou para os vinicultores adequarem seus vinhos ao gosto do crítico, levando a uma padronização do sabor.

O capeta do cinema

O capeta do cinema

Essa é, resumidamente, a tese defendida por Nossiter em seu filme. Mas ela não se aplica apenas aos vinhos, funciona também para o cinema. E se no mundo dos vinhos o capeta é o Robert Parker, no mundo do cinema um dos mais endemonizados é, sem dúvida, o consultor e professor de roteiros Syd Field. Depois de trabalhar por alguns anos avaliando roteiros para uma produtora, Syd Field escreveu o Manual do Roteiro, onde ensina todos os segredos para se escrever um bom filme. Segundo seus critérios, é claro. Ele apresenta em seu manual o paradigma dos três atos, com seus pontos de viradas, ponto médio e clímax. Seus críticos chamam o paradigma de receita de bolo e não deixam de ter razão. Seguindo os ensinamentos de Syd Field ao pé da letra o roteirista corre o sério risco de fazer um roteiro careta, duro, parecido demais com um filme americano. Mas com um pouco de bom senso e visão crítica as dicas de Syd Field podem ser muito úteis. Na verdade, ainda não encontrei melhor estrutura para contar a maioria das histórias em cinema do que a dos três atos.

Mas sem os exageros do nosso amigo capeta…

Filme Europeu x Filme Americano

Julho 29, 2009

nuvem
Uma das melhores definições sobre a diferença entre um filme europeu e um filme americano foi feita pelo mestre Hitchcock. Ele disse que o filme europeu pode abrir com uma imagem de nuvens, cortar para outro plano de nuvens, e então cortar para um terceiro plano de nuvens.

Se um filme americano abre com uma imagem de nuvens, deve cortar para um plano de um avião, e se no terceiro plano o avião não tiver explodido, a platéia estará entediada.

Debate na Travessa (atualizado 2)

Julho 22, 2009

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Post muito rápido só para dizer que vai rolar um debate sobre quadrinhos na Travessa do Barrashopping no dia 28/07, terça feira, às 19:30hs. Os participantes serão:

Andre Conti – Editor do novo selo de HQ – Quadrinhos na Cia.

Carlos Patati – jornalista, roteirista e pesquisador de HQ.

Rick Goodwin – Curador do I Festival de Humor do Rio de Janeiro.

S. Lobo – Editor de várias HQs pela Desiderata (inclusive O Cabeleira) e roteirista da HQ Copacabana.

Carlos Matuck – Artista plástico, especialista em Tintin

Eles vão discutir a importância dos quadrinhos e o atual interesse de editoras e novos autores pelas HQs. E eu fui chamado pela Alzira, da Travessa, para mediar essa conversa.

Estão todos convidados!


Tema

Julho 20, 2009

Confesso que é um prazer falar sobre personagem, estrutura, trama, conflito e tudo mais que envolve a construção de uma boa história de HQ ou cinema. Um dos conceitos mais fantásticos (e muitas vezes ignorado) chama-se: TEMA. Todo filme ou quadrinho deveria ter um tema. Minha história é sobre vingança? Ou é sobre redenção? Ou quem sabe é sobre a perda de um grande amor? Dominar o tema é saber que as decisões que são tomadas ao longo do roteiro são propositais, mas não evidentes. Nada é aleatório. Quem melhor explicou isso foi Sidney Pollack, no livro “Grandes Diretores de Cinema”. Transcrevo um trecho aqui:

O modo como funciono é o seguinte: tento determinar previamente o tema do filme, sua idéia central. E uma vez que sei qual é essa idéia, uma vez que a domino, todas as decisões que tomo ao longo do trabalho decorrem naturalmente dela, são inconscientemente influenciadas por ela. E, pra mim, um filme é bem-sucedido quando cada escolha que foi feita é coerente em relação ao tema inicial. Por exemplo, Três Dias de Condor é um filme sobre a confiança e a desconfiança. Redford encarna um personagem confiante demais que vai aprender a não acreditar mais em ninguém. Faye Dunaway encarna uma mulher que não confia em ninguém e que, na sequência dessa experiência dramática, vai aprender a se abrir. Entre Dois Amores, em compensação, é um filme sobre a posse. Meryl Streep tenta impor seu poder sobre tudo. Ela chega ao ponto de tentar desviar um rio. E, principalmente, ela tenta possuir Redford, que é a própria expressão da liberdade. Se considerarmos e analisarmos esses dois filmes, sequência por sequência, eu deveria poder justificar cada escolha de direção em relação a essas idéias. Comparo frequentemente esse conceito do tema central com o modo como um escultor modela uma estátua. Ele começa criando uma espécie de esqueleto de metal, depois coloca pouco a pouco sua argila e a modela para lhe dar forma humana. É o esqueleto que permite que a estátua se sustente. Sem ele, ela ruiría. Mas quando a estátua está terminada, não se deveria de modo algum ver o esqueleto, isso estragaria tudo. E, no cinema, é a mesma coisa. Não quero de modo algum que, enquanto assiste a Três Dias de Condor, o espectador pense: “ah, é um filme sobre confiança!”. Se isso acontecer, é porque fiz mal meu trabalho. O que deve ocorrer é que o espectador chegue a sentir, inconscientemente, que alguma coisa verdadeiramente orgânica e coerente nesse filme, que nada nele foi feito de maneira arbitrária. Até mesmo o cenário deve ser um reflexo do tema principal. – Sidney Pollack

Ainda sobre o Curso de Quadrinhos

Julho 20, 2009

Não posso deixar de comentar: semana passada estive com o Leandro e o Arnaldo Branco falando sobre Graphic Novel e Adaptação no curso “Arte sequencial, humor gráfico e outros eufemismos”. Gostei muito da turma, que estava interessadíssima. Espero que todos tenham captado alguns conceitos importantes e, sobretudo, que passem a ver adaptações com outros olhos!

Obrigado a todos que compareceram!