Vinho, cinema e os capetas.

by

mondovinoBig

O Hiroshi levantou uma questão interessante no post anterior (e o Hiro completou com um comentário hilário). O cinema tem caras diferentes dependendo de onde é feito.  Mas tenho a sensação que de uns tempos pra cá essas diferenças estão diminuindo.

Em 2004, o cineasta e enólogo americano Jonathan Nossiter lançou um documentário que se tornou um hit. Mondovino falava sobre a

O capeta dos vinhos

O capeta dos vinhos

globalização e seus efeitos devastadores para o mundo do vinho. Segundo Nossiter, os vinhos produzidos em diferentes regiões do planeta, em terrenos diferentes, com climas diferentes e, principalmente, por vinicultores diferentes, têm características únicas, particulares e fascinantes. O problema é que essas diferenças estão sumindo. Tudo teria começado quando os vinicultores perceberam a influência decisiva do crítico de vinhos Robert Parker na decisão de compra dos consumidores. Uma crítica positiva de Parker aumenta imediatamente o preço do vinho e suas vendas. Uma crítica negativa pode arruinar a vinícula. Não demorou para os vinicultores adequarem seus vinhos ao gosto do crítico, levando a uma padronização do sabor.

O capeta do cinema

O capeta do cinema

Essa é, resumidamente, a tese defendida por Nossiter em seu filme. Mas ela não se aplica apenas aos vinhos, funciona também para o cinema. E se no mundo dos vinhos o capeta é o Robert Parker, no mundo do cinema um dos mais endemonizados é, sem dúvida, o consultor e professor de roteiros Syd Field. Depois de trabalhar por alguns anos avaliando roteiros para uma produtora, Syd Field escreveu o Manual do Roteiro, onde ensina todos os segredos para se escrever um bom filme. Segundo seus critérios, é claro. Ele apresenta em seu manual o paradigma dos três atos, com seus pontos de viradas, ponto médio e clímax. Seus críticos chamam o paradigma de receita de bolo e não deixam de ter razão. Seguindo os ensinamentos de Syd Field ao pé da letra o roteirista corre o sério risco de fazer um roteiro careta, duro, parecido demais com um filme americano. Mas com um pouco de bom senso e visão crítica as dicas de Syd Field podem ser muito úteis. Na verdade, ainda não encontrei melhor estrutura para contar a maioria das histórias em cinema do que a dos três atos.

Mas sem os exageros do nosso amigo capeta…

2 Respostas to “Vinho, cinema e os capetas.”

  1. Carla Says:

    Diriam os caçadores do Nirvana: o mundo é feito de dualidades. Pra conhecer o divino, tem que conhecer também o capeta…

  2. Hiroshi Says:

    Ou como diz um velho ditado: aproveita que você está no inferno e dá um abraço no capeta!

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