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Um Passeio pelos Quadrinhos Argentinos II

Maio 17, 2010

Registro rápido: hoje o Paulo Ramos estará no Rio lançando seu novo livro “Bienvenidos”. O evento ocorrerá na Livraria da Travessa de Ipanema, às 19h.

Estarei lá! (Enviarei algumas fotos do evento via Twitter. Se quiserem ver, meu twitter é @hmaeda)

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Cosecha Verde

Maio 17, 2010

Como comentei no post anterior, estive em BsAs no mês passado e aproveitei para conhecer um pouco mais sobre os quadrinhos argentinos. Um dos melhores trabalhos que comprei foi dica do Paulo Ramos: Cosecha Verde, de Carlos Trillo e Domingo Mandrafina.

Cosecha Verde de Carlos Trillo e Domingo Mandrafina

Cosecha Verde tem um clima noir. O quadrinho começa com uma mulher misteriosa chegando num prostíbulo à procura de Donaldo Reynoso. O homem está bêbado, mas os dois vão para um quarto. Finalmente vemos quem é a mulher misteriosa: Malinche Centurión, a virgem intocada. Nesse momento, já estava grudado na HQ me perguntando “Quem é essa mulher? O que uma virgem faz num prostíbulo? O que ela quer com esse bêbado? “. De repente, entra um narrador sentando em uma poltrona. Ele se apresenta, pede desculpas pela intromissão, e diz que é o responsável pela invenção de Malinche. Responsável pela invenção de Malinche? Como assim?!

Esse é um dos segredos desta HQ: uma história legal, muito bem contada.

Páginas de Cosecha Verde

Cosecha Verde faz parte de uma coleção chamada “Colección Narrativa Dibujada”, que traz várias histórias de aventura, mistério e terror. Após chegar ao Brasil, fiquei arrependido de não ter comprado outros quadrinhos desta coleção. Quem sabe numa próxima viagem?

Comiquerias

Maio 2, 2010

Na semana passada eu estive em Buenos Aires. Assim que cheguei por lá, corri para as livrarias a fim de conhecer um pouco mais sobre os quadrinhos argentinos. Para minha surpresa, encontrei pouca coisa. Mesmo na belíssima El Ateneo (Av. Santa Fé 1860), os autores não iam muito além de Maitena, Quino ou Liniers. De qualquer forma, a livraria merece uma visita.

Livraria El Ateneo, em Buenos Aires

A El Ateneo é considerada das mais bonitas do mundo

Ela está localizada onde antigamente foi o famoso Teatro Grand Splendid

Antes da minha viagem, busquei o novo livro do Paulo Ramos, que fala justamente sobre os quadrinhos argentinos. Mas infelizmente o livro ainda não havia saído. Em plena BsAs e sem saber onde ir, decidi entrar em contato com o Paulo e pegar algumas dicas (foram preciosas!) sobre quadrinhos argentinos e comiquerias, nome do local onde se vendem quadrinhos. A melhor opção é o Club Del Comic (rua Montevideo, 255). O lugar é um verdadeiro santuário nerd, com venda de camisetas, action figures e quadrinhos.

Velhinha olhando a vitrine do Club Del Comic, melhor comiqueria de BsAs

Algumas HQs argentinas do Club Del Comic

Club del Comic: HQs, camisas, action figures

Outras duas lojas são a Entelequia (rua Uruguay, 341) e a Camelot (av. Corrientes, 1388). A Camelot estava fechada quando eu passei. As três comiquerias são bem perto uma da outra.

Entelequia

Camelot

O Paulo ainda me indicou outros lugares, como uma visita ao prédio do Jornal Clarín (onde eles mantém uma seção para vendas dos antigos volumes de suas coleções) e a loja do jornal Página/12 (venda de edições antigas da revista Fierro). Não tive tempo para conhecê-los, mas certamente entrará no meu roteiro de HQs em uma próxima ida à BsAs.

Num futuro post, falarei um pouco mais sobre os quadrinhos portenhos que comprei.

Um Passeio pelos Quadrinhos Argentinos

Abril 29, 2010

Poucos jornalistas se dedicam tanto aos quadrinhos quanto Paulo Ramos. Autor do ótimo Blog dos Quadrinhos, ele lança neste próximo sábado (01/Maio), seu novo livro: “Bienvenido – Um Passeio pelos Quadrinhos Argentinos”. O lançamento será às 19h30, na livraria HQMix (Praça Roosevelt, 142, São Paulo).

Imperdível, galera! Não vejo a hora de colocar as mãos no meu exemplar!

Entre, por favor

Janeiro 11, 2010

Este post era para ter sido publicado no final do ano passado sob o título “O Melhor Filme de 2009”. O ano virou e, por descuido (ou preguiça mesmo!), acabei não escrevendo sobre o filme sueco Deixa Ela Entrar (Låt den Rätte Komma In). Se você ainda não o viu, aqui vai meu alerta: este post contém spoilers!

Deixa Ela Entrar é baseado no livro Låt Den Rätte Komma In do autor sueco John Ajvide Lindqvist (que também é o roteirista) e conta a história de Oskar, um garoto de 12 anos que é vítima de bullying. A vida de Oskar começa a mudar com a chegada de sua nova vizinha, a menina Eli. Mas Eli não é uma menina qualquer. Ela é uma vampira.

Deixa Ela Entrar é aquele tipo de filme com várias camadas. É lento e belo, mas também perturbador. Quase nada é explícito, abrindo a possibilidade para diversas interpretações. O final é assim: triste ou feliz, dependendo da forma como você encara a relação de Eli e Oskar. A própria relação de Håkan com Eli é bizarra. No começo, parece mais um sentimento pai-filha. Mas depois vemos que há algo estranho. No livro, fica claro: Håkan é um pedófilo.

O livro, inclusive, é bem mais explícito que o filme e nos revela algo surpreendente: Eli era um menino que foi castrado. Sabendo dessa informação, você compreende algumas situações como o famoso close na vagina da menina, que está toda retalhada, ou a pergunta de Eli a Oskar “você ainda gostaria de mim se eu não fosse uma garota?”. O diretor (ou seria o roteirista?) omitiu tudo isso. Simplesmente sensacional.

Quanto a vocês eu não sei, mas eu já “deixei ela entrar”.

O Progresso

Dezembro 11, 2009

Registro rápido para aqueles que ainda acompanham o blog: estamos terminando o tratamento final do roteiro de nossa próxima HQ, que se chamará O Progresso. Escrever um roteiro é isso: termina-se uma primeira versão (também conhecido como “tratamento”). Depois o roteiro passa por uma série de versões, até chegarmos ao “tratamento final”.

E O Progresso está chegando finalmente em sua versão definitiva. Mais detalhes em breve!

Games

Novembro 13, 2009

Semana passada, li uma matéria sobre o lançamento do novo jogo Call of Duty e como ele pode bater todos os recordes da indústria do entretenimento. Segundo a matéria, o game “poderá facilmente render mais do que os US$ 155 milhões da abertura recorde de O Cavaleiro das Trevas, arrecadando mais de meio bilhão de dólares na primeira semana”. Não sei quanto aos outros milhões de jogadores, mas eu já fiz a minha pre-order.

Algumas vezes é difícil saber se eu gosto mais de cinema, quadrinhos, séries de tv ou games. Talvez o que eu goste mesmo é de uma história bem contada. E uma história bem contada precisa de um ingrediente básico: drama. É justamente neste ponto que os games têm melhorado a cada ano. Mesmo os de futebol têm drama (quem acha que uma partida de futebol não tem drama, leia o primeiro capítulo do livro Three Uses of a Knife, de David Mamet).

Minha teoria para o sucesso dos jogos é muito simples: eles estão cada vez melhores porque têm roteiros cada vez melhores (nem entrarei no fato dos games proporcionarem uma maior experiência ou “imersão” das pessoas).

Também não há como negar que tecnicamente os games estão primorosos: gráficos reais, som espetacular, ótima trilha sonora etc. Mas isso tudo sem um boa história é como um filme com ótimos efeitos especiais e uma péssimo roteiro: um filme vazio.

Se você ainda duvida da qualidade do roteiro dos jogos, vá até uma locadora, pegue Uncharted2 e depois me diga se algum filme de aventura, desde Indiana Jones, chegou aos pés deste jogo.

O Melhor Quadrinho de 2009

Outubro 27, 2009

asterios

Ainda faltam dois meses para acabar o ano. Mas eu não tenho nenhum receio em dizer que o melhor quadrinho que li em 2009 foi “Asterios Polyp”, do mestre David Mazzucchelli. Esta HQ é tão genial que merece ser lida várias vezes. E a cada leitura percebe-se algo diferente.

Durante a FliP deste ano, houve um debate sobre quadrinhos, em que a questão “quadrinho é literatura?” veio à tona. Eu responderia essa pergunta com uma página de Asterios Polyp.

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Quadrinhos têm sua própria linguagem e Mazzucchelli brinca e utiliza todos seus elementos para contar sua história: cores primárias, traço e até a fonte e formato dos balões de cada personagem. Na página acima, vemos como o traço/cores do casal vão se misturando a medida que eles vão se conhecendo. Isso é quadrinho! E, sem dúvida, o melhor do ano.

OuBaPo

Outubro 23, 2009

Registro rápido: hoje aproveitei meu horário de almoço para visitar a exposição “OuBaPo – quadrinhos à máxima potência”. É uma pena que a exposição não tenha mais obras, pois o material é de altíssimo nível! Vale a pena conferir. A curadoria é do quadrinista Tiago Lacerda, da HQ independente Beleléu.

Ah, e por falar em Beleléu, semana passada tive a oportunidade de conferir esse quadrinho e fiquei impressionado com a qualidade do trabalho. Show!

OuBaPo_3
OuBaPo_2

Informações:
OuBaPo está no Centro Cultural da Academia Brasileira de Letras na Avenida Presidente Wilson 203, no Rio de Janeiro, de 10h às 18h, até dia 28/10. Para maiores informações sobre o OuBaPo, confiram o post no blog do Télio Navega.

The Pitchers

Agosto 5, 2009

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Recentemente o Leandro me apresentou uma tira chamada The Pitchers, um retrato irreverente de Hollywood pela visão de dois roteiristas. Virei fã.

Pra quem não sabe, “pitch” é uma expressão usada quando alguém (geralmente um roteirista) conta sua história para um produtor. Na verdade, ele não quer apenas “contar sua história”, mas vendê-la. E muitas vezes não tem mais do que alguns minutos para fazer isso. Lá fora existem livros e até cursos sobre o tema, que merece um post à parte. Por enquanto, confiram as tiras de The Pitchers em:
http://www.guardian.co.uk/film/series/thepitchers

7 Vidas

Julho 31, 2009

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Se existe uma coisa eu aprendi com este blog é que eu não sou crítico de quadrinhos. Melhor deixar essa tarefa para pessoas como Sidney Gusman & cia. Mas quando eu me deparo com um ótimo trabalho, não posso deixar de mencioná-lo aqui. Esse foi o caso de 7 Vidas, de André Diniz e Antonio Eder. Esse quadrinho é muito, muito bacana, e narra as sessões de terapia de vidas passadas feitas por André Diniz.

Acreditar ou não em vidas passadas não é pré-requisito para gostar do quadrinho. Afinal de contas, o que realmente importa é que 7 Vidas é uma história intimista, emocionante e que merece ser lida.

Filme Europeu x Filme Americano

Julho 29, 2009

nuvem
Uma das melhores definições sobre a diferença entre um filme europeu e um filme americano foi feita pelo mestre Hitchcock. Ele disse que o filme europeu pode abrir com uma imagem de nuvens, cortar para outro plano de nuvens, e então cortar para um terceiro plano de nuvens.

Se um filme americano abre com uma imagem de nuvens, deve cortar para um plano de um avião, e se no terceiro plano o avião não tiver explodido, a platéia estará entediada.