Archive for the ‘Aula de Roteiro’ Category

Tema

Julho 20, 2009

Confesso que é um prazer falar sobre personagem, estrutura, trama, conflito e tudo mais que envolve a construção de uma boa história de HQ ou cinema. Um dos conceitos mais fantásticos (e muitas vezes ignorado) chama-se: TEMA. Todo filme ou quadrinho deveria ter um tema. Minha história é sobre vingança? Ou é sobre redenção? Ou quem sabe é sobre a perda de um grande amor? Dominar o tema é saber que as decisões que são tomadas ao longo do roteiro são propositais, mas não evidentes. Nada é aleatório. Quem melhor explicou isso foi Sidney Pollack, no livro “Grandes Diretores de Cinema”. Transcrevo um trecho aqui:

O modo como funciono é o seguinte: tento determinar previamente o tema do filme, sua idéia central. E uma vez que sei qual é essa idéia, uma vez que a domino, todas as decisões que tomo ao longo do trabalho decorrem naturalmente dela, são inconscientemente influenciadas por ela. E, pra mim, um filme é bem-sucedido quando cada escolha que foi feita é coerente em relação ao tema inicial. Por exemplo, Três Dias de Condor é um filme sobre a confiança e a desconfiança. Redford encarna um personagem confiante demais que vai aprender a não acreditar mais em ninguém. Faye Dunaway encarna uma mulher que não confia em ninguém e que, na sequência dessa experiência dramática, vai aprender a se abrir. Entre Dois Amores, em compensação, é um filme sobre a posse. Meryl Streep tenta impor seu poder sobre tudo. Ela chega ao ponto de tentar desviar um rio. E, principalmente, ela tenta possuir Redford, que é a própria expressão da liberdade. Se considerarmos e analisarmos esses dois filmes, sequência por sequência, eu deveria poder justificar cada escolha de direção em relação a essas idéias. Comparo frequentemente esse conceito do tema central com o modo como um escultor modela uma estátua. Ele começa criando uma espécie de esqueleto de metal, depois coloca pouco a pouco sua argila e a modela para lhe dar forma humana. É o esqueleto que permite que a estátua se sustente. Sem ele, ela ruiría. Mas quando a estátua está terminada, não se deveria de modo algum ver o esqueleto, isso estragaria tudo. E, no cinema, é a mesma coisa. Não quero de modo algum que, enquanto assiste a Três Dias de Condor, o espectador pense: “ah, é um filme sobre confiança!”. Se isso acontecer, é porque fiz mal meu trabalho. O que deve ocorrer é que o espectador chegue a sentir, inconscientemente, que alguma coisa verdadeiramente orgânica e coerente nesse filme, que nada nele foi feito de maneira arbitrária. Até mesmo o cenário deve ser um reflexo do tema principal. – Sidney Pollack

Ainda sobre o Curso de Quadrinhos

Julho 20, 2009

Não posso deixar de comentar: semana passada estive com o Leandro e o Arnaldo Branco falando sobre Graphic Novel e Adaptação no curso “Arte sequencial, humor gráfico e outros eufemismos”. Gostei muito da turma, que estava interessadíssima. Espero que todos tenham captado alguns conceitos importantes e, sobretudo, que passem a ver adaptações com outros olhos!

Obrigado a todos que compareceram!

Curso de Quadrinhos

Junho 21, 2009

Estacao

O Hiroshi e eu fomos convidados pelo incansável Arnaldo Branco para participar de um curso de quadrinhos do Grupo Estação. Vamos falar sobre graphic novels e adptações.

Para quem estiver interessado:

Arte sequencial, humor gráfico e outros eufemismos

Mediador: Arnaldo Branco.
Com: Allan Sieber, Leandro Assis, Hiroshi Maeda, André Dahmer e Leonardo.

De 13 a 16 de julho

Das 19h30 às 22h
Carga horária: 4 aulas
Custo: R$ 300,00 à vista ou 2X R$ 175,00
Local: Grupo Estação – Rua Voluntários da Pátria, 53
Botafogo, Rio de Janeiro

Mais detalhes no site do Grupo Estação.

Celtx

Abril 20, 2009

Já vou avisando que esse post só vai interessar a quem escreve ou quer começar a escrever roteiros. Os outros podem ignorar…

Hoje no Brasil, os roteiros seguem a formatação americana. Algumas pessoas acham essa história uma bobagem, pois o que realmente importa é o conteúdo do roteiro e não a maneira de se organizar na página os diálogos, nomes de personagens e ações . É claro que o conteúdo é muito mais importante. Mas os roteiros formatados de maneira padronizada trazem vantagens para todos.

Quando um produtor recebe 10 roteiros para avaliar, seu trabalho fica bem mais fácil se esses roteiros seguem uma mesma formatação. Ele não precisa ficar tentando entender o que cada elemento na página significa a cada roteiro que abre para ler. Além disso, a formatação pode interferir no número de páginas do roteiro. Formatado de um jeito, um roteiro pode ter 100 páginas. Outra formatação pode deixar esse mesmo roteiro com 120. E o produtor quer ter uma base de comparação. A mesma formatação ajuda a avaliar as diferenças de tamanho, ritmo e estilo entre dois projetos. Só de abrir dois roteiros com a mesma formatação já podemos ter uma idéia se um tem muito mais diálogo do que o outro. Se um tem ações mais lentas. Se o outro tem cenas mais curtas. E assim por diante.

O trabalho do roteirista também fica mais fácil com essa formatação americana. Dizem que nela a relação páginas de roteiro/minutos de filme é um pra um. Ou seja, um roteiro de 120 páginas resultaria num filme de 120 minutos. É claro que não dá pra levar essa história ao pé da letra. Não é uma matemática exata. É uma estimativa. Serve para o roteirista se guiar na hora de escrever. Ele sabe que um roteiro de 60 páginas é pequeno para um longa-metragem. E um de 250 é grande.

Então vieram os americanos – sempre eles – e criaram programas específicos para se escrever roteiros. E a vida que era fácil ficou moleza! Esses programas fazem tudo. Só falta escreverem por você. Mas qualquer dia os americanos dão um jeito nisso também.

Quando você está escrevendo um diálogo entre dois personagens, o programa entende isso e passa a completar os nomes desses personagens por você. Se você acabou de escrever o cabeçalho de uma cena e apertou o ENTER, o programa sabe que agora, obrigatoriamente, vem uma ação, então já formata o texto para ação. A mesma coisa depois de você ter escrito o nome de um personagem em um diálogo. Depois do ENTER vem uma fala, então o programa já deixa tudo pronto para você escrever a fala. Escrever fica muito mais rápido assim. O mouse fica quase esquecido.

O Final Draft é o programa mais usado hoje em dia. Mas custa 200 dólares. O Celtx é de graça.

Acho que foi o Hiroshi quem me falou do Celtx pela primeira vez, já faz um bom tempo. Recentemente fui dar uma olhada com mais calma, pois queria falar dele para minha turma de roteiro da Darcy Ribeiro. Fiquei bastante surpreso. O programa tem muito mais recursos do que eu lembrava. O roteirista pode usá-lo para formatar roteiros de cinema, TV, rádio e inclusive quadrinhos! Até as fichas, usadas para planejar o roteiro que será escrito, ordenando as cenas do filme, estão disponíveis. Com a opção de dar cores específicas para cada trama da história. Assim a visualização de como as tramas do filme estão se cruzando é imediata. Uma verdadeira mão na roda!

Ou seja, recomendo o Celtx. E muito!

HQs na British School

Abril 5, 2009

ppt_hq

Esta semana eu fiz uma palestra sobre HQs para crianças da British School. Montei um power point bem didático, que buscava a participação dos alunos com perguntas do tipo: “Como se começa um quadrinho?”, “O que faz um bom roteiro (uma boa história)?”, “De onde vem as idéias?” etc.

Foram duas sessões de 50 minutos. Levei alguns originais do Cabeleira: perfil dos personagens, lápis, thumbnails, nanquim. As crianças ficaram encantadas, foi um sucesso! Nota 10!

É realmente importante que as HQs estejam nas escolas e façam parte do aprendizado dos alunos. Afinal, eles serão (alguns já são!) os leitores e criadores de amanhã.

Professor? Eu!?

Agosto 24, 2008

Desde o início do ano dou aula de Roteiro 1 na Escola de Cinema Darcy Ribeiro. O convite me pegou de surpresa. Fui chamado numa sexta-feira para começar na segunda. Eu nunca tinha dado aula e sou tímido. Muito tímido. Não preciso dizer, então, que depois de aceitar o convite, entrei em pânico. A Carla teve que ter muita paciência.

Estava tão nervoso com a perspectiva de encarar 20 alunos que cheguei ao cúmulo de procurar ajuda no Google. Verdade. Escrevi “a primeira vez que dei aula”, na esperança de encontrar relatos de outros professores de primeira viagem. O mais bizarro é que encontrei! E algumas dicas me ajudaram bastante a ficar mais calmo.

Então aqui vai a minha pequena contribuição aos próximos neuróticos que buscarem socorro na internet.

O primeiro dia é o mais difícil. Se tiver tempo, prepare alguma coisa para falar. Mas não fique muito obcecado em já ter matéria nesse primeiro dia. Fale sobre algo que você conhece bem. Sua experiência, porque você está ali. Não precisa ser muita coisa. E coloque os alunos para falar. Peça para que se apresentem, pergunte por que procuraram aquele curso. É sempre bom também deixar que façam perguntas.

Mas o mais importante. Seja honesto. Diga que é a primeira vez na vida que você dá aula. Os alunos serão compreensivos e te ajudarão. Pelo menos funcionou comigo.

Em pouco tempo já estava me divertindo. Despejei sobre os alunos ação dramática, conflito, clímax, atos e narrativa. E eles me devolveram prédios falantes, padres assassinos, fotógrafas angustiadas e traficantes.

Aprendi muito nesse primeiro semestre. E gostei tanto da experiência, que quando o pessoal da Escola me chamou para também dar aula de Roteiro 2 no segundo semestre, já não precisei do Google. Respondi sim no ato.