Archive for the ‘Cinema’ Category

Entre, por favor

Janeiro 11, 2010

Este post era para ter sido publicado no final do ano passado sob o título “O Melhor Filme de 2009”. O ano virou e, por descuido (ou preguiça mesmo!), acabei não escrevendo sobre o filme sueco Deixa Ela Entrar (Låt den Rätte Komma In). Se você ainda não o viu, aqui vai meu alerta: este post contém spoilers!

Deixa Ela Entrar é baseado no livro Låt Den Rätte Komma In do autor sueco John Ajvide Lindqvist (que também é o roteirista) e conta a história de Oskar, um garoto de 12 anos que é vítima de bullying. A vida de Oskar começa a mudar com a chegada de sua nova vizinha, a menina Eli. Mas Eli não é uma menina qualquer. Ela é uma vampira.

Deixa Ela Entrar é aquele tipo de filme com várias camadas. É lento e belo, mas também perturbador. Quase nada é explícito, abrindo a possibilidade para diversas interpretações. O final é assim: triste ou feliz, dependendo da forma como você encara a relação de Eli e Oskar. A própria relação de Håkan com Eli é bizarra. No começo, parece mais um sentimento pai-filha. Mas depois vemos que há algo estranho. No livro, fica claro: Håkan é um pedófilo.

O livro, inclusive, é bem mais explícito que o filme e nos revela algo surpreendente: Eli era um menino que foi castrado. Sabendo dessa informação, você compreende algumas situações como o famoso close na vagina da menina, que está toda retalhada, ou a pergunta de Eli a Oskar “você ainda gostaria de mim se eu não fosse uma garota?”. O diretor (ou seria o roteirista?) omitiu tudo isso. Simplesmente sensacional.

Quanto a vocês eu não sei, mas eu já “deixei ela entrar”.

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Bastidores de Hollywood

Agosto 5, 2009

hollywood

Você quer saber como os filmes de Hollywood são feitos? Quer conhecer os segredos dos produtores? Os truques dos efeitos especiais? Que tal conversar com os profissionais por trás (no bom sentido) dos blockbusters norte-americanos?

Pois agora tudo isso está ao seu alcance, fã de cinema! Basta desembolsar algo entre US$1.900,00 e US$6.400,00 – dependendo do programa escolhido – e ficar cinco dias zanzando pelas internas da indústria. Há programas sobre filmes de terror, produção independente, roteiro e até pitching. Há também programas que prometem um mergulho nas obras de cineastas como Spielberg, Tarantino, Hitchcock e Billy Wilder.

Veja mais detalhes no site da International Film Institute, que se descreve como “a sua porta de entrada VIP à experiência mais exclusiva do mundo do cinema”.

Vinho, cinema e os capetas.

Julho 30, 2009

mondovinoBig

O Hiroshi levantou uma questão interessante no post anterior (e o Hiro completou com um comentário hilário). O cinema tem caras diferentes dependendo de onde é feito.  Mas tenho a sensação que de uns tempos pra cá essas diferenças estão diminuindo.

Em 2004, o cineasta e enólogo americano Jonathan Nossiter lançou um documentário que se tornou um hit. Mondovino falava sobre a

O capeta dos vinhos

O capeta dos vinhos

globalização e seus efeitos devastadores para o mundo do vinho. Segundo Nossiter, os vinhos produzidos em diferentes regiões do planeta, em terrenos diferentes, com climas diferentes e, principalmente, por vinicultores diferentes, têm características únicas, particulares e fascinantes. O problema é que essas diferenças estão sumindo. Tudo teria começado quando os vinicultores perceberam a influência decisiva do crítico de vinhos Robert Parker na decisão de compra dos consumidores. Uma crítica positiva de Parker aumenta imediatamente o preço do vinho e suas vendas. Uma crítica negativa pode arruinar a vinícula. Não demorou para os vinicultores adequarem seus vinhos ao gosto do crítico, levando a uma padronização do sabor.

O capeta do cinema

O capeta do cinema

Essa é, resumidamente, a tese defendida por Nossiter em seu filme. Mas ela não se aplica apenas aos vinhos, funciona também para o cinema. E se no mundo dos vinhos o capeta é o Robert Parker, no mundo do cinema um dos mais endemonizados é, sem dúvida, o consultor e professor de roteiros Syd Field. Depois de trabalhar por alguns anos avaliando roteiros para uma produtora, Syd Field escreveu o Manual do Roteiro, onde ensina todos os segredos para se escrever um bom filme. Segundo seus critérios, é claro. Ele apresenta em seu manual o paradigma dos três atos, com seus pontos de viradas, ponto médio e clímax. Seus críticos chamam o paradigma de receita de bolo e não deixam de ter razão. Seguindo os ensinamentos de Syd Field ao pé da letra o roteirista corre o sério risco de fazer um roteiro careta, duro, parecido demais com um filme americano. Mas com um pouco de bom senso e visão crítica as dicas de Syd Field podem ser muito úteis. Na verdade, ainda não encontrei melhor estrutura para contar a maioria das histórias em cinema do que a dos três atos.

Mas sem os exageros do nosso amigo capeta…

Filme Europeu x Filme Americano

Julho 29, 2009

nuvem
Uma das melhores definições sobre a diferença entre um filme europeu e um filme americano foi feita pelo mestre Hitchcock. Ele disse que o filme europeu pode abrir com uma imagem de nuvens, cortar para outro plano de nuvens, e então cortar para um terceiro plano de nuvens.

Se um filme americano abre com uma imagem de nuvens, deve cortar para um plano de um avião, e se no terceiro plano o avião não tiver explodido, a platéia estará entediada.