Archive for the ‘Reviews’ Category

7 Vidas

Julho 31, 2009

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Se existe uma coisa eu aprendi com este blog é que eu não sou crítico de quadrinhos. Melhor deixar essa tarefa para pessoas como Sidney Gusman & cia. Mas quando eu me deparo com um ótimo trabalho, não posso deixar de mencioná-lo aqui. Esse foi o caso de 7 Vidas, de André Diniz e Antonio Eder. Esse quadrinho é muito, muito bacana, e narra as sessões de terapia de vidas passadas feitas por André Diniz.

Acreditar ou não em vidas passadas não é pré-requisito para gostar do quadrinho. Afinal de contas, o que realmente importa é que 7 Vidas é uma história intimista, emocionante e que merece ser lida.

O Brasil nos Quadrinhos

Junho 11, 2009

Um de nossos maiores quadrinistas foi Flávio Colin, que dizia: “Considero as HQs uma missão. E como todo bom missionário, dedicado e tenaz, acredito que um dia, através delas, o Brasil será mais brasileiro.

Pois Colin teria orgulho de três belos quadrinhos lançados recentemente: Copacabana (Desiderata), Os Brasileiros (Conrad) e Sábado dos Meus Amores (Conrad). São três álbuns que falam do Brasil. Cada um de seu jeito. Os três obrigatórios.

1. Copacabana

CopaSou suspeito para falar. Afinal, esse quadrinho é de autoria de Lobo e Odyr. O primeiro foi editor do Cabeleira e o segundo foi o responsável por sua belíssima capa. Pois esses dois craques se juntaram para retratar o submundo de Copacabana. Um universo povoado por prostitutas, travestis, gringos, policiais corruptos e malandros. A trama noir criada por Lobo é bastante envolvente, mas torna-se brilhante quando revela os pequenos personagens que compõem o pano de fundo do bairro. Como o vendedor de Halls no ônibus,  a gangue de travecos, o velhinho do café, a velha do pó e tantos outros. Os bate-papos das putas pelos bares parecem tão autênticos que não deixam dúvida: Lobo sabe do que está falando. E a arte de Odyr consegue o que parecia impossível. Copacabana está mais imunda e decadente do que nunca.

2. Os Brasileiros

ToralAndré Toral é historiador e antropólogo e isso fica óbvio lendo seu álbum. No bom sentido. Ele não quer nos dar aulas. Quer apenas  falar daqueles que podem ser considerados os verdadeiros brasileiros. Ou pelo menos os primeiros brasileiros. As sete histórias do livro tratam de índios, da época do descobrimento até os dias de hoje.  Como o próprio Toral explica, esse album é o seu jeito de responder a uma pergunta que ele se faz sempre que viaja para o litoral paulista: “onde estão aqueles que por milhares de anos habitavam esse litoral, muito antes da chegada dos portugueses?” Os índios de Toral não têm nada de coitados, fracos ou submissos. São guerreiros, prontos para lutar com os inimigos e devorá-los. Literalmente. O canibalismo é assunto recorrente no quadrinho. Duas histórias nãos são inéditas – O Negócio do Sertão, publicada em 1991 como Graphic Novel e O Caso dos Xis, publicada em duas partes em 1992. Mas isso não diminui em nada o prazer de ler Os Brasileiros.

3.  Sábado dos Meus Amores

Quintanilha

Sou fã de Marcello Quintanilha desde a época em que ele ainda assinava Marcello Gaú. A primeira vez que vi seu trabalho foi na Bienal de Quadrinhos de 91. E fiquei impressionado com seu desenho realista, claramente baseado em fotos, e com a sua capacidade para capturar nos quadrinhos um brasileiro poucas vezes retratado em nossos gibis. É o brasileiro derrotado, pobre, que compra cerveja fiado em  pé-sujo, que é torcedor fanático de futebol, que sente inveja e compra briga. Estava ansioso para ver esse livro, pois o anterior havia me decepcionado bastante.  Fealdade de Fabiano Gorila, que Quintanilha lançou em 99, era uma história de apenas 16 páginas que foi rediagramada para ocupar umas 80. Acho que com isso a narrativa e os desenhos de Quintanilha ficaram bastante prejudicados. Pois foi com muito alívio e alegria que devorei Sábado dos Meus Amores. A edição está caprichada, com capa dura, e traz Marcello Quintanilha no auge da forma. Suas histórias são comoventes e seu desenho está deslumbrante.

Recomendo os três livros. Quadrinhos brasileiros, sobre brasileiros, da melhor qualidade. Colin ia adorar.