Archive for the ‘Sem Categoria’ Category

Férias

Maio 18, 2009

Ando um pouco afastado do blog por causa das minhas (merecidas) férias. Mas isso não quer dizer que eu esteja afastado dos quadrinhos. Na verdade, estou tendo a oportunidade de conhecer muitas HQs diferentes.

Minha primeira parada foi na fnac da praça Catalunia, Barcelona. Fui direto para seção de quadrinhos, que obviamente é maior que no Brasil. Como eu sou rato da Amazon.com, posso afirmar que é possivel encontrar todas as graphic novels americanas traduzidas para o espanhol, inclusive os lançamentos, e com um detalhe: em edições superiores. Os livros do Daniel Clowes, por exemplo, só em capa dura. “Blankets” também. Isso sem falar que muitas são em tamanho maior. As ótimas HQs ( three Shadows, Notes for a War Story etc.) que a editora First Second publica nos EUA (e pecam apenas pelo seu tamanho), podem ser compradas em tamanho decente nas edições em castellano.

Mas eu estava interessado mesmo era nas graphic novels espanholas. Como não conhecia nada, pedi uma ajuda e tive uma pequena aula sobre quadrinistas espanhóis com a atendente da fnac. Prometo falar mais sobre eles no futuro.

Pra resumir, o resultado disso tudo foi diversos quadrinhos novos, vários Euros gastos e uma mala pesada para carregar.

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Fundação Casa Grande

Março 20, 2009
Foto de Augusto Pessoa, tirada do site da Fundação

Foto de Augusto Pessoa, tirada do site da Fundação

Em pleno sertão cearense – mais precisamente na cidade de Nova Olinda – fica a Fundação Casa Grande, idealizada por Alimberg Quindins e Rosiane Limaverde. E lá, quem manda são as crianças. São elas que tocam as atividades culturais, que incluem um museu (sobre os índios que habitaram primeiro o Cariri), uma rádio educativa, teatro, música, editora, cinema e televisão.

E os quadrinhos têm papel importante por lá. O prédio onde fica a sede da fundação foi doado pelo governo do estado, atendendo a um projeto feito em história em quadrinhos. Além disso, os garotos contam com uma gibiteca muito bem abastecida. São mais de 2.600 exemplares. Tem até “O Cabeleira”!

A gibiteca. Foto de João Paulo Maropo, tirada do site da Fundação.

A gibiteca. Foto de João Paulo Maropo, tirada do site da Fundação.

Acho que todo roteirista escreve com algum público na cabeça. Fazemos isso porque queremos “manipular” as sensações de quem vai ver (ou ler) o que escrevemos. “Aqui vão se assustar”, “Agora vão rir”, “Nessa parte vão chorar”. Para isso, enquanto escrevemos, vamos tentando prever tais reações do público. E a melhor forma de fazer isso é tendo um “público imaginário” na nossa cabeça. É claro que o público que vive na minha cabeça é formado por vários Leandros. Ou pessoas imaginárias muito parecidas comigo, com valores semelhantes e faixa etária próxima. E nunca passa pela minha cabeça a possibilidade de que alguém muito diferente de mim possa se interessar por aquilo que escrevi. Por isso é tão emocionante saber que um jovem no sertão do Cariri leu O Cabeleira. E gostou!

É o caso de Aureliano Souza, de 22 anos (que já não é tão criança assim…). Ele relatou sua leitura de nosso álbum em seu blog:

Essa semana fiquei conhecendo mais sobre o cangaço. Eu li o gibi O cabeleira sobre a historia de José Gomes. Um homem muito temido na província de Pernambuco, um dos primeiros cangaceiros que se tem notícia na historia do cangaço nordestino. É importante essa literatura que retrata os acontecimentos da nossa história. É uma forma de mantê-la viva.

Quem quiser conhecer um pouco mais sobre a Casa Grande, que já existe há mais de 15 anos, pode dar uma olhada na Revista de História da Biblioteca Nacional de março. Também pode acessar o site Fundação Casa Grande.

Preguiça de escrever

Fevereiro 28, 2009

Quem entrou recentemente no blog já percebeu. Ele está abandonado. Não temos postada nada. Não sei quanto ao Hiroshi, mas da minha parte o problema é bem simples de explicar: Eu não gosto de escrever.

Pode parecer estranho um roteirista que não gosta de escrever, né? Mas acho que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Eu não faço roteiro porque tenho pretensões de ser um escritor. Faço roteiro porque gosto de cinema. E quadrinhos.

E depois, não é preciso ser um bom escritor para escrever um bom roteiro. É claro que ajuda, mas não é fundamental. Roteiro não é uma obra de literatura. É um manual de instrução. Um guia para aqueles que realizarão o filme.  As principais qualidades do texto de um roteiro devem ser: clareza, simplicidade e objetividade. E, claro, o roteirista deve escrever de forma visual. Ele coloca no papel as imagens que vê na cabeça.

Assim, mais do que talento para o texto, o roteirista deve ter talento para criar bons personagens, conflitos interessantes, tramas envolventes e pensar em imagem.

Mas apesar da preguiça de escrever, prometo me esforçar para não deixar o blog às moscas.